22 de outubro de 2009

noturno 21 - Primavera em sAMpA

Gente
No metrô
Corpos pastas mochilas guarda-chuvas
Ar viciado

Chove na cidade
Lá fora na cidade
Cento e cinquenta quilômetros de congestionamento
A faixa amarela não deve ser ultrapassada
Sem lugar para o café
Cuidado porta automática
Vida automática
Espera

E as flores - não há flores
Trem estacionado na plataforma
Destino viciado
Privacidade - sem privacidade
Mergulhado na rua agora
Reflexos de néon sobre os transeuntes

Um café, por favor – ficha no caixa
Em meia hora estou chegando
Primavera e estou chegando
Sem flores - não há flores
Anoitece
Toca o celular tocam-se celulares
Palavras & mensagens & chuva
Cento e cinqüenta passos de descomedimento
A luz amarela cintila nas gotas dágua

Seu café
Privacidade
Priva-me a cidade de mim
Ato torto Vida torta
É primavera em Sampa
Rampa do viaduto
Toca o celular
Nada de flores - não há flores

Escuto
Nos boatos da cidade
Meu silêncio noturno
Minha primavera sem dentro
sem cores – sem flores - sem mim.

6 comentários:

Carolina disse...

Adorei a composição com as imagens...

Vanessa Marx disse...

Concordo com a Carolina...que beleza Mario!

De Marchi ॐ disse...

Linda, Mario. Meus velhos Noturnos... :)

Moacir Moreira disse...

Mário? Que Mário?

De Marchi ॐ disse...

No meu blog indica que você atualizou com um texto, "amor virtual", mas quando vejo aqui só aparece esse...

Aden disse...

Vida automática...como aguentamos ????

Mas há sempre um olhar refinado no meio da boiada...

Viva !!!