29 de setembro de 2008

Nós...

Ouço uma canção, mas é irreconhecível.
Vozes de mulheres e telefones insistentes
Em mim no ar da tarde.
Pensamento:
Onde estão?
Uma imagem:
Lembrei-me de você Maso,
Na porta de um longínquo cemitério,
Você chora, indefeso.
“Quantos de nós? Quantos ainda terão de ir?”
Todos, eu sei.
Nós que aqui estamos por voz esperamos.
Estamos?
E você também se foi...
Passa ruidoso um carrinho de limpeza pelo corredor.
Toca um bip quase imperceptível.
Em mim um tédio sem remédio...
Sentimento:
Onde estão?
Será que “estão”, será que esperam?
Entram aqui duas mulheres...
Oi, vocês. Vieram me varrer, é?
Uma passagem:
Você tinha planejado tudo, Lúcio,
Mas a vida beira a inutilidade de propósitos
E você não esperava.
Tinha medo de sufocar.
Eu também tenho, penso.
Nós aqui de fora temos medo dessa hora.
Amém! Amém?
E perdi você também...
Meu coração ruidoso em minhas veias,
Bombeia-me teimoso.
Um fim em si próprio meu ópio...
Tormento:
Onde será que estão?
Uma viagem:
Perdi-me de vocês,
Zé Ary,Angelina, Nelson, Vítor, Maso,
João, Lucio, Ana, Luciano, Adilson...
Na hora morta desta tarde de recintos fechados
Desmorono, impreciso.
“Quantos de nós?"
E quando nada mais serei?
Nós que aqui estamos por voz esperamos.
Esperam?
Eu também irei...

3 comentários:

웃 Mony 웃 disse...

Todos que se foram aqui ainda estão, a cada lembrança renascida... Sao gerações, eras pra se ir de fato. Mas, esse caminho só cabe a quem está de viagem.
Calma! Tua ida não é tua até que vás, então, fica, e fica em paz. ;)
Beijo, querido.

Mario Ferrari disse...

beijo mony!

joao luiz de disse...

Amigão,
Te leio com prazer, embora prefia poemas mais concisos.
Alguns seus curtos adoro
Os longos exigem suor
Bjaum
Até sempre